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segunda-feira, 9 de junho de 2014

"Uma Pilha de Pratos na Cozinha", texto de Mário Bortolotto e direção de Alexandre Borges

Quatro amigos encaram uma longa jornada noite adentro em um apartamento com uma pia lotada de louças sujas, metáfora do texto de Mario Bortolotto sobre o submundo de São Paulo.

Sinopse:
Quatro amigos reunidos em um apartamento para falar sobre a vida e morte ao som de muito rock’n roll, drogas e bebidas. É neste contexto que acontece “Uma Pilha de Pratos na Cozinha”, texto de Mário Bortolotto que encerra a trilogia da Praça Roselvet e será encenado pela primeira vez no Rio de Janeiro. A peça marca a primeira direção teatral do ator Alexandre Borges e fará temporada a partir do dia 10 de maio aos sábados, domingos e segundas às 20h no Teatro Glaucio Gill, em Copacabana, até o dia 22 de junho.

- Estrear na direção teatral com um texto do Mário Bortolotto é uma oportunidade ótima para comemorar os 30 anos do grupo Cemitério de Automóveis criado por ele. Além disso, é uma homenagem que um grupo carioca fará a uma respeitada e competente companhia paulista – diz Alexandre Borges.

A peça conta a história de Júlio (Rodrigo Rosado), um jovem avesso às relações com outros seres humanos, e que está enclausurado em seu apartamento por conta própria, enquanto sua pilha de pratos cresce na pia. Chegam três presenças em série que mexem com essa monotonia: Daniel (Akin Garragar), um amigo sanguessuga fracassado; Breno (Lozano Raia), o síndico do prédio e “homossexual enrustido” e Cristina (Silvana D’lacoc), ex-namorada de Júlio que descobre que está com os dias contados em função de uma doença fatal.

Uma noite inteira de discussões intermináveis em um dia como outro qualquer na vida desses quatro amigos. A peça é marcada por tiradas ácidas, sarcásticas e inteligentes entremeadas com a inação das personagens que sabem bem como analisar suas próprias vidas, mas não conseguem jamais se mover. “Uma Pilha de Pratos na Cozinha” é uma peça que naturalmente faz com que o espectador saia do teatro pensando sobre a vida. Como é a sua vida? O que você faz dela, ou não faz? Enfim, não existe certo nem errado. É tudo um grande ensaio.

O projeto idealizado pelos atores Rodrigo Rosado e Silvana D’lacoc conta com cenário e figurinos de Daniele Geammal e iluminação de Aurélio di Simoni.  A peça conta com patrocínio da estatal chinesa State Grid. 

Ficha Técnica:
Texto: Mário Bortolotto
Direção: Alexandre Borges
Elenco: Rodrigo Rosado (Júlio) Silvana D’Lacoc (Cristina), Akin Garragar (Daniel), Lozano Raia (Breno).
Iluminação: Aurélio di Simoni
Assistente de direção: Vivian Duarte
Cenografia e figurino: Daniele Geammal
Administração financeira: Letícia Nápole
Programação Visual: Thiago Ristow
Gerente de produção: Anne Mohamad
Direção de produção: Aline Mohamad
Assistente de produção: Ayrton Miguel
Assessoria de Imprensa: Minas de Ideias
Produção Geral: Fabricio Chaniello e Fábio Amaral
Realização: Ymbu Entretenimento

Crítica: Clique aqui e veja crítica feita pela equipe do Rio no Teatro sobre o espetáculo.

Dias e horários: 
Segunda às 20:00 - R$ 30,00
Sábado às 20:00 - R$ 30,00
Domingo às 20:00 - R$ 30,00

Duração: 40 minutos

Temporada: 
De 10/05/2014 Até 22/06/2014

Contato: 
(21) 2332-7904

Classificação: 
14 anos

Genero:
Drama



quarta-feira, 28 de maio de 2014


IDA VICENZIA
(da Associação Internacional de Críticos de Teatro - AICT)
(Especial)

Dessa vez trata-se de uma experiência temerosa. Fazer teatro com um texto - limite como esse "Uma pilha de Pratos na Cozinha", de Mário Bortolotto (que de trivial só tem o título), é uma aventura. Quando Rodrigo Rosado e Silvana D'Lacoc convidaram Alexandre Borges para dirigi-los, os três já sabiam que estavam fazendo um "teatro de garagem", mal-educado, anti-convencional. Acertaram. O texto de Bortolotto soa estranho, e agrada a um público muito especial: os pesquisadores da alma humana.
Há quatro personagens nesse sub-mundo: o pianista Daniel (interpretado por Akin Carragar), que parece ser o mais estruturado. Ele, ao menos, exerce uma profissão, tem um dom e a alma sensível. Os outros três, talvez pela descrença (Julio), pela ação das drogas, ou talvez pela curiosidade, Cris (Silvana L'Dacoc), e Breno, o síndico desse sub-mundo (Lozano Raia).
Julio (interpretado por Rodrigo Rosado), parece ter ficado assim, "o gato de apartamento olhando pela janela" depois de uma desilusão amorosa. A culpada é a Cris... Irônico, ele aconselha ao ex-amor a ser mais "pragmática" ao falar, porque, afinal, ela possui uma formação universitária.
Aliás, essa interpolação de palavras cultas com palavras chulas é muito bom. Daniel: "é inerente ao seu caráter sardônico", referindo-se às ironias de Julio. A "misoginia" também é citada. Cris, a mulher, sofre desbragadamente, e não tem nenhum "super ego" incomodando-a. O "fazer a mulher sofrer", talvez seja uma característica da personalidade do autor. Talvez um misógino? O fato é que todos os personagens "sofrem desbragadamente".
Enfim, o jogo de cena está muito bem armado pelo diretor Alexandre Borges e a cenógrafa Daniele Geammal. Um palco nu, um ator solitário, um compasso monocórdio. De repente, estoura a música e o espaço vira cena. Esse ritmo de rock, agitado, Borges conseguiu de seus atores, passando para o público o teatro de Bortolotto. Ótima direção.
O autor não julga, ele apenas atira questões aos expectadores. Há frases que fazem pensar, como a de Julio (Rodrigo Rosado): "O medo é o segundo estágio [...], para ter medo eu preciso ter interesse". Essa conclusão serve para qualquer experiência humana. No caso, foi a respeito de um papo sobre homossexualismo. Quem fica com o clichê é o síndico homossexual enrustido, Breno, interpretado com entrega por Lozano Raia. Todos são desesperados. "Encarando a morte", como diz Cris.
É bom assistir "Uma pilha de pratos...". Encontramos um texto inteligente, com várias referências, inclusive musicais (estilo do autor),.e uma grossura que certamente vai ferir os mais delicados. Há também um humor sombrio. O público precisa saber o que está fazendo, ao escolher um texto de Bortolotto para assistir.
A luz de Aurélio di Simoni não é poética. Sua luz é às vezes velada, às vezes aberta: direta e certeira como o texto. Nos figurinos (essa maneira Praça Roosevelt de ser), Daniele Geammal; Cenotécnico e Pintura de Arte, Renato Marques; Assessoria de Imprensa: Minas de Ideias; Idealização: Rodrigo Rosado e Silvana D' Lacoc.
Embora aflitivo, esse teatro é bom. E é bom ver bom teatro!


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